contato@marcelowinther.adv.br
11 3257-4164

BLOG

Home > DIVERSAS > Vítima de fraude no PIX? Saiba quando as instituições financeiras respondem por transferências indevidas e saiba o que pode ser pedido na Justiça.

Vítima de fraude no PIX? Saiba quando as instituições financeiras respondem por transferências indevidas e saiba o que pode ser pedido na Justiça.

21 de maio de 2026
Nenhum comentário





Conta Corrente Bloqueada Judicialmente? Conheça o Limite de 40 Salários Mínimos e Seus Direitos



Conta Corrente Bloqueada Judicialmente? Conheça o Limite de 40 Salários Mínimos e Seus Direitos

Ter o dinheiro da conta bancária bloqueado por uma ordem judicial é uma situação delicada que gera grande preocupação[cite: 271]. Muitas pessoas acreditam que, por não estar em uma caderneta de poupança tradicional, qualquer valor em conta corrente pode ser totalmente penhorado para o pagamento de dívidas[cite: 287]. No entanto, a legislação e os tribunais brasileiros garantem limites fundamentais para proteger a subsistência e a dignidade do cidadão[cite: 248, 319].

Neste artigo, vamos explicar como funciona a impenhorabilidade de valores de até 40 salários mínimos [cite: 247], especialmente quando uma conta corrente bloqueada judicialmente coloca em risco o sustento do cidadão, com base no entendimento pacificado da Justiça[cite: 248].

O que diz a lei sobre a impenhorabilidade de valores?

O Código de Processo Civil (CPC), em seu artigo 833, inciso X, estabelece expressamente que é impenhorável a quantia depositada em caderneta de poupança até o limite de 40 salários mínimos[cite: 247, 256].

O principal objetivo dessa regra não é proteger o inadimplemento, mas sim assegurar um mínimo existencial — ou seja, garantir que o cidadão tenha recursos para arcar com as suas despesas básicas de sobrevivência[cite: 287].

A ampliação do direito: valores em conta corrente também são protegidos?

Historicamente, muitos credores argumentavam que se o dinheiro estivesse em uma conta corrente comum (e não na poupança), ele poderia ser bloqueado integralmente[cite: 287]. Felizmente, essa visão mudou para acompanhar a realidade financeira moderna[cite: 318].

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou o entendimento de que a proteção de impenhorabilidade deve receber uma interpretação extensiva[cite: 252, 254]. Isso significa que o teto de 40 salários mínimos protege o dinheiro do cidadão, independentemente do tipo de conta em que ele esteja guardado[cite: 248].

Atualmente, a jurisprudência estende essa segurança para as seguintes modalidades:

  • Cadernetas de poupança tradicionais[cite: 336];
  • Contas correntes comuns[cite: 318, 336];
  • Fundos de investimento[cite: 336];
  • Valores guardados em papel-moeda[cite: 331].

Atenção à regra: Essa proteção de até 40 salários mínimos é voltada para as pessoas físicas[cite: 287, 289]. As contas de pessoas jurídicas (empresas) seguem regras diferentes e não usufruem dessa mesma presunção automática de impenhorabilidade geral baseada exclusivamente nesse teto[cite: 289].

O entendimento do TJSP: Análise do Agravo de Instrumento nº 2050739-35.2026.8.26.0000

Como exemplo prático dessa aplicação, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), por meio de sua 21ª Câmara de Direito Privado, deu provimento ao Agravo de Instrumento nº 2050739-35.2026.8.26.0000[cite: 221]. No caso em questão, a devedora recorreu de uma decisão judicial que havia rejeitado a impugnação ao bloqueio de seus ativos[cite: 263].

Ao analisar o recurso, o Desembargador Relator Miguel Petroni Neto determinou o desbloqueio imediato do montante, fundamentando critérios cruciais que amparam quem se depara com uma conta corrente bloqueada judicialmente[cite: 221, 358]:

  1. Amplitude da proteção: Ainda que o devedor não tenha efetivamente comprovado a utilização da conta bloqueada apenas com caráter de poupança, a restrição vem sendo ampliada para aplicações de outra natureza e até mesmo em valores depositados em conta corrente, independentemente das movimentações havidas[cite: 318].
  2. Presunção de boa-fé: Verificado que os valores bloqueados na conta da executada eram inferiores a 40 salários mínimos, o desbloqueio é de rigor, uma vez que nada há nos autos que demonstre má-fé por parte da devedora[cite: 358].
  3. Foco na subsistência: A ampliação da proteção legal visa garantir a subsistência individual e familiar diante de adversidades financeiras diversas[cite: 319].

Sofri um bloqueio judicial na minha conta. O que devo fazer?

Se você teve valores bloqueados pelo sistema da Justiça, o primeiro passo é agir com rapidez, pois existem prazos legais para apresentar a contestação técnica (chamada de impugnação ao bloqueio)[cite: 263].

Para reverter a situação, é fundamental demonstrar ao juiz a origem e o contexto dos valores[cite: 281]. Embora a proteção até 40 salários mínimos seja amplamente aceita [cite: 248], a falta de comprovação documental adequada pode fazer com que o pedido inicial seja rejeitado pelo juiz de primeira instância, como ocorreu originalmente neste caso analisado[cite: 263, 281, 282]. Recomenda-se reunir imediatamente:

  • Extratos bancários completos que demonstrem o saldo e a movimentação financeira da conta bloqueada[cite: 281];
  • Comprovantes de rendimentos, holerites ou extrato de recebimento de benefícios sociais e verbas salariais[cite: 241, 282];
  • Contas de consumo essenciais (água, luz, serviços essenciais) que demonstrem de forma inequívoca o uso do dinheiro para a subsistência diária[cite: 282].

A análise detalhada de cada caso por um profissional especializado em Direito Civil e Processual é indispensável para identificar a melhor estratégia jurídica, garantindo o respeito aos seus direitos fundamentais e a liberação célere dos valores essenciais à sua vida.


Sobre o Autor:
Administrador Site

COMENTÁRIOS:

Nenhum comentário foi feito, seja o primeiro!

DEIXE SEU COMENTÁRIO:

Mensagem:
Nome:
Email: